O BARCO DOS SONHOS


Está vendo aquele barco, criança? Aquele azul, da cor do mar? Que está a tilintar no balanço da água e vez ou outra se vira com o sopro da ventania. Flutua em silêncio como quem procura um chamado. Ele aguarda o anúncio pausado de uma vida em curso. É um barco feito de sentimentos, construído por mãos singelas, trêmulas e com esperanças primaverís. Este barco traz um tesouro! Não tem ouro nem pedras. É uma carga delicada, como bola de sabão, oscila entre uma tênue linha do concreto e o abstrato. De onde veio não retornará, pois o porto se fechou a muito, seu destino é incerto. Navega a esmo no deserto oceânico, ora em águas calmas, ora em águas borbulhantes, gélidas e até fervilhantes. Traz pedaços de outrora, fatias de momentos vividos deixados em espera, pro exato instante.
Nesse barco, compulsoriamente, pus meus sonhos a navegar à procura de terras firmes para fazer brotar alguma imagem em algum espaço de tempo. É leve e de pequenino porte porque meus sonhos não foram feitos para alcançar realidades tão distantes. Embora seja modesto e gasto pelo tempo, este é um barco nobre e fortalecido pelas batalhas já ganhas. Tem um valor incalculável, mas, somente por quem conhece o que é querer, sonhar e viver...

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